![]() |
| Foto: Rafaela Felicciano |
grave quando celular ou álcool entram na equação e transformam veículos em
armas nas mãos dos motoristas. Entre os principais fatores de preocupação dos
órgãos de trânsito, a dupla foi responsável por mais de 45,5 mil infrações
lavradas pelo Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF), Departamento de
Estradas de Rodagem (DER) e Polícia Militar de janeiro a junho deste ano.
No último levantamento realizado pelo Detran, referente ao primeiro
semestre de 2017, as fiscalizações no Distrito Federal registraram 32.499 mil
infrações por utilizar o aparelho telefônico na direção e 13.102 mil por
alcoolemia. Ao todo, no ano passado, os números foram 59.821 e 15.119,
respectivamente – este último, próximo ao total que virou estatística este mês
na prancheta do Detran-DF.
Apesar de estudos apontarem que ler e digitar
mensagens de texto ao volante aumenta consideravelmente o risco de acidentes,
as infrações referentes ao uso do celular na direção continuam altas, em
comparação com as multas por embriaguez.
Para o professor de engenharia de tráfego da Universidade de Brasília
(UnB) Paulo Cesar Marques, os motoristas têm mais receio de serem pegos depois
de beber do que digitando. O diretor-geral do Detran-DF, Silvain Barbosa
Fonseca Filho, no entanto, alerta: “Celular é tão ou mais perigoso do que
dirigir embriagado”.
Estudos apontam que digitar mensagens de texto na direção aumenta em 23 vezes o
risco de acidente. A ação é considerada mais perigosa do que manipular
alimentos atrás do volante ou mexer no GPS. De acordo com pesquisas, o ato
retarda a reação do motorista e o deixa vulnerável no trânsito.
A universitária Larissa Lira, 23 anos, não consegue passar minutos que
sejam sem olhar o celular. “É inevitável. A gente trata de muitos assuntos nos
grupos, desde questões familiares a trabalhos de faculdade. Não dá para ficar
sem dar uma olhadinha, pelo menos”, admite. Já o servidor público Demétrius
Augusto Moreira, 45 anos, afirma deixar o aparelho longe do seu alcance
quando está dirigindo. “É uma tentação, mas já bati o carro quando me distraí
lendo mensagens e procuro evitar agora”, conta.
O diretor do Detran-DF classifica o problema como “seríssimo”. Nas
fiscalizações em horários de pico, segundo Fonseca, os agentes identificam à
distância os sinais de motoristas digitando no celular: redução repentina da
velocidade, fechadas em outros carros, invasão de faixa. “O celular reflete a
correria, o estresse do cotidiano, das pessoas, a impaciência. Esses conflitos
do dia a dia interferem diretamente no trânsito”, pondera.Algumas vezes, os
agentes pegam, em fiscalização, pessoas sem cinto, sob influência de álcool,
digitando no celular e em alta velocidade. Tem gente que infelizmente consegue
cometer quatro infrações ao mesmo tempo. É lamentável.”
Pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), o condutor flagrado falando ao
celular ou enviando mensagens comete infração gravíssima e é punido com a perda
de sete pontos na Carteira de Habilitação Nacional (CNH), além de multa no
valor de R$ 293,47. A penalidade mais dura, no entanto, é recente. Até outubro
do ano passado, o ato era considerado infração média. A mudança legislativa
passou a vigorar em novembro.
Apesar de considerar que o valor da multa,
“certamente”, tem influência sobre os motoristas, o professor Paulo Cesar
Marques avalia que inibir o cometimento da infração é melhor do que punir
quando a transgressão é cometida. “É fácil constatar que há muito mais pessoas
usando o celular indevidamente do que dirigindo depois de beber. O investimento
em campanhas de esclarecimento é importante”, defende.
Os problemas relacionados a álcool e direção também são recorrentes. O número
de condutores pegos sob influência de álcool aumentou, segundo o diretor do
Detran-DF, devido à fiscalização ostensiva dos órgãos de trânsito. “Temos
trabalhado com mais intensidade em duas frentes: campanhas educativas de
conscientização e ações de fiscalização”, afirmou. Apesar dos esforços para
reduzir as estatísticas, a realidade ainda é preocupante.
Não
há um dia sequer, no Distrito Federal, que a fiscalização não pegue uma pessoa
dirigindo bêbada. Alguns são até reincidentes. Felizmente, em 95% dos casos, os
agentes conseguem parar o motorista antes de se envolver em algum acidente.”
Afirma Silvain Fonseca,
diretor-geral do Detran-DF.
De acordo com o CTB, dirigir sob influência de álcool é infração
gravíssima, com multa no valor de R$ 2.934,70 e suspensão do direito de
dirigir. A reincidência, no período de até 12 meses, acarreta multa em dobro
(R$ 5.869,40) e abertura de processo de cassação da CNH.
Para Paulo Cesar Marques, é preciso uma “fiscalização mais objetiva”,
que garanta a punição dos infratores. “Mais do que o alto valor da multa,
é preciso que não haja a sensação de impunidade.”
Segundo o Detran-DF, no primeiro semestre deste ano
houve uma redução em 40% das mortes no trânsito da capital federal. No mesmo
período do ano passado, foram contabilizadas 191 mortes; neste ano, 115.
Fonseca afirma que os números são resultado de novas estratégias adotadas pelo
departamento para reduzir os acidentes.
Segundo o diretor-geral, o Detran da capital está realizando ações
planejadas para interceptar condutores alcoolizados, antes que provoquem algum
acidente. Conforme dados do Detran-DF, a iniciativa gerou um aumento de 65,5%
no número de autuações por alcoolemia em 2017.
(Metrópoles/redação JAL)
