CCJ nega pedido de fatiamento da denúncia contra Temer, Padilha e Moreira Franco

O relator da segunda denúncia contra o
presidente Michel Temer, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) pediu
mais tempo para concluir seu relatório, jogando para a parte da tarde desta
terça-feira a leitura do voto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Com
isso, durante toda
a manhã a CCJ dedicou-se apenas ao debate da acusação feita pelo ex-procurador
geral da República
: de que Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa
Civil) e Moreira Franco (Secretaria Geral) praticaram organização
criminosa e obstrução da Justiça.

O presidente da CCJ, deputado
Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), aproveitou para decidir sobre diferentes pedidos de
membros da comissão, como o de fatiamento da denúncia, separando as acusações
contra Temer das de seus ministros. Pacheco negou o pedido, e a apreciação da
peça acusatória será analisada de forma conjunta.

Outro pedido que Pacheco negou
foi o do deputado Sergio Zveiter (Pode-RJ), de rejeitar a mudança feita pelo
PSDB, de retirar Andrada da vaga de suplente na CCJ na tentativa de estancar a
disputa entre tucanos pró-governo e a ala dissidente do partido que prega a
continuidade das investigações. Como Andrada é da ala pró-governo, na semana
passada um partido da base aliada, o PSC, cedeu uma de suas vagas na comissão
para que Andrada a ocupasse, permanecendo assim no cargo de relator.

Zveiter, que foi relator da primeira denúncia
contra Temer, por corrupção passiva, disse que a “manobra” do PSDB
foi “antiética”. Para Pacheco, no entanto, o regimento interno da
Câmara prevê essa mudança e portanto “não há cabimento” no
requerimento do colega fluminense.

— Não aceito as acusações de que houve manobras.
São ilações desrespeitosas — reclamou o deputado Betinho Gomes (PSDB-PE),
coordenador da bancada tucana na CCJ.

Antes do anúncio das decisões de Pacheco, diversos
deputados criticaram a suposta parcialidade de Andrada para relatar o processo.

— O relatório do deputado Bonifácio de Andrada é
tão certo quanto que amanhã vai amanhecer. E a probabilidade de Bonifácio fazer
um relatório contra o Temer é a mesma de um um cometa atingir a Terra agora —
discursou o deputado Ivan Valente (Psol-RJ).

— O cenário dantesco já está determinado. Todos
sabemos que estamos diante de uma ópera bufa que resultará no arquivamento da
denúncia — complementou o deputado Major Olímpio (SD-SP), que apesar de ser da
base é a favor de que Temer seja investigado.

Em julho, quando foi votada a primeira denúncia na
CCJ, o partido de Major Olímpio o retirou da lista de titulares da comissão.
Desde então, ele segue como suplente e portanto não tem direito a voto.

(Jornal O Globo/Foto: André
Coelho/redação JAL)

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