Bolsonaro entrega pedido de impeachment de Alexandre de Moraes

Presidente da República havia prometido, no último
fim de semana, que pediria ao Senado para abrir processo contra dois ministros
do STF

Foto: Igo estrela

Foi
protocolado, no início da noite desta sexta-feira (20/8), no Senado Federal, o
pedido de abertura de processo de impeachment contra o ministro Alexandre de
Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento foi levado por
funcionários do Palácio do Planalto em nome do presidente Jair Bolsonaro (sem
partido), que assina a peça

 

O chefe de gabinete do
presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), foi o responsável por recebê-lo.
Até o momento, foi entregue apenas o processo contra Alexandre de Moraes – no
dia em que ocorreu operação da Polícia Federal por autorização dele – após
pedido da PGR – mirando apoiadores de Bolsonaro,
como o cantor Sérgio Reis
.

 

O colunista Igor Gadelha, do Metrópolescontou mais cedo que a
cúpula do Senado Federal havia sido informada
 que auxiliares do
presidente levariam os pedidos de impeachment de ministros do STF ainda hoje.

 

“Nas últimas semanas, o STF,
por intermédio do ministro Alexandre de Moraes, determinou a instauração de
inquérito policial a fim de investigar condutas que eu supostamente teria
praticado durante a transmissão das lives de quinta-feira”, escreve o
presidente no pedido. “Tenho plena convicção de que não pratiquei nenhum
delito, não violei lei, muito menos atentei contra a Constituição Federal. Na
verdade, exerci meu direito fundamental de liberdade de pensamento, que é
perfeitamente compatível com o cargo de Presidente da República e com o debate
político”, continua ele.

 

Justificativa

Bolsonaro afirmou, no último sábado
(14/8), que pediria abertura de processo contra Moraes e também contra o
ministro Luís Roberto Barroso, que preside o Tribunal Superior Eleitoral, por
considerar que eles estavam “jogando fora das quatro linhas da Constituição”
.

 

Segundo
o presidente, o pedido seria encaminhado nesta semana. A ação do titular do
Executivo federal ocorreu um dia após o ministro Alexandre de Moraes determinar
a prisão do ex-deputado e dirigente nacional do PTB, Roberto Jefferson, por
suposta participação em uma organização criminosa digital montada para atacar a
democracia.

 

“Na
próxima semana, levarei ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, pedido para
que instaure processo sobre ambos, de acordo com o art. 52 da Constituição
Federal”, tuitou Bolsonaro.

 

O
presidente afirmou que “todos sabem das consequências, internas e externas, de
uma ruptura institucional. O chefe do Executivo alegou que Alexandre de Moraes
e Luís Roberto Barroso “extrapolam os limites constitucionais”. Por essa razão,
o presidente afirma que vai solicitar a abertura de processo sobre ambos no
Senado Federal, e cita o artigo 52 da Constituição Federal.

 

O
artigo 52 da Constituição dá ao Senado Federal poder para “processar e julgar
os ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de
Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o Procurador-Geral da
República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade”.

 

Ao longo da semana, houve tentativas de baixar a temperatura
da crise e o ministro Luís Fux, presidente do Supremo, recebeu o ministro da
Casa Civil de Bolsonaro, Ciro Nogueira, para uma reunião. Nogueira teria dito
estar tentando convencer o chefe a desistir dos pedidos de impeachment.

 

 

 

 

(Metrópoles)
www.jornalaguaslindas.com.br

 

 

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